terça-feira, 9 de agosto de 2016

Vem com a chuva

             Cansei um pouco de Crônicas e estou me aventurando um pouco em pequenos contos, Tá aí uma pequena amostra.


   - Tóóóbby?
Não estranhou o fato de o cão não ter ido recebê-la em sua chegada naquele fim de tarde. Geralmente ele já estava arranhando a porta desde o momento em que ela batia o portão do pátio na entrada da casa.
Porém hoje chovia muito, então era de praxe que seu companheiro estivesse encolhido, tremendo em silêncio embaixo de sua cama no segundo piso da casa.
Tobby era um cão de raça indefinida, uma mistura de poodle com basset, fora adotado pela dona há vários anos – tantos que ela já perdera a conta – geralmente era corajoso e brincalhão, mas definitivamente não gostava de chuva e de homens. Provavelmente traumas que trouxe dos tempos em que vivia na rua. Bastava um homem ingressar no jardim que começava a latir incessantemente.
- Tóóóbby?
Foi só chamar mais uma vez que o cão veio em disparada em sua direção, quase se perdeu na curva da escada entre um andar e outro. Lambeu-a como se ela estivesse ficada uma década longe, como se não houvesse o amanhã.
Como era bom chegar em casa após um exaustivo dia de trabalho, ainda mais em meio ao temporal que caia na cidade. Não havia coisa mais horripilante do que ter que pegar duas conduções para chegar ao trabalho em um dia em que as ruas estavam completamente alagadas. Bastava uma gota de chuva cair no asfalto e as pessoas automaticamente viravam ogros e perdiam o mínimo de cordialidade que possuíam no trânsito, além é claro, de desaprenderem a dirigir.
Já fazia um ano que largou o vício de usar o carro para ir ao trabalho, geralmente ia de bicicleta, às vezes até caminhando. Mas com o temporal que caía na cidade a única alternativa era a lotação disponibilizada municipal. Aliás, lotação sem dúvida era o nome mais apropriado para o veículo, um ônibus com capacidade para 40 pessoas, mas que sem dúvida carregava 70 na melhor das hipóteses, em dia de chuva então, cabia pessoas até as portas não fecharem mais.
Mas tudo isso era passado e preocupação só para o próximo dia (isto é, se a chuva continuasse). Chegara em casa, molhada, exausta, mas na expectativa de um banho quente e de uma bela taça de vinho Cabernet Sauvignon chileno, talvez uma garrafa.
Pendurou o guarda-chuva atrás da porta, junto com seu pesado casaco para dias como esse, tirou as botas molhadas e finalmente ingressou em seu seco e confortável lar, na companhia de seu medroso e carinhoso cão.
Subiu as escadas e já entrou em seu quarto parcialmente sem roupas (uma das vantagens em se morar sozinha). O segundo andar de sua casa era dividido em três peças, unidas por um longo corredor, logo ao sair da escada havia um quarto/escritório (que com o tempo se tornou mais um depósito de tralhas), em seguida o único banheiro da casa, um ambiente amplo, tendo nele uma bela banheira vitoriana com aquecimento (utensilio esse que seria desfrutado com todo o prazer em poucos minutos), e então, por derradeiro o quarto principal.
Logo que entrou no quarto Tóbby correu para baixo da cama se proteger da chuva e das trovoadas.
- Tudo bem Tóbby, agora estou em casa pra te proteger. Enquanto falava levou a mão até o escuro debaixo do móvel até a língua de seu cachorro a encontrar e a lamber. Um ritual dos dois, quando estava protegido em seu esconderijo, de tempo em tempo a dona levava a mão até embaixo da cama e seu animal apenas a lambia para demonstrar que estava tudo bem, que nenhum dos dois estavam sozinhos na casa.
Após retirar as roupas molhadas se dirigiu a peça ao lado, abriu a torneira da banheira, ajustou o nível dos dois registros até a água sair na temperatura exata para o banho. Jogou alguns sais, viu a espuma subir e desceu até a cozinha pegar o vinho e uma taça para ter companhia durante o banho relaxante.
La fora a chuva só aumentava, mais e mais. Só imaginava o inferno que seria ir trabalhar no próximo dia.
- Esquece, viva o momento, vou aproveitar o banho, meu vinho, um bom livro, o amanhã que se dane. (sim, tinha a mania de conversar sozinha).
Esse era seu momento preferido do dia. Era só ela e seu espírito inquieto, ali podia ser quem realmente gostava de ser, abandonar qualquer convenção social, não tinha a necessidade de agradar, bajular ninguém, era só ela e sua mente levemente perturbada.
BAROOM! BARUUUMM – trovejava lá fora.
Ficava imaginando quantas pessoas e quantos animais estavam lá, sem refúgio, se escondendo sob marquises, sob abas de telhados, e até imprudentemente no pé de árvores. Sábia que era privilegiada por ter um bom emprego, onde morar, que deveria abandonar essa angústia que corroía sua alma, não tinha motivos para tê-la.
Mas a vida não era tão simples, simples era vagar entre pensamentos bons e pensamentos agoniantes num estalar de dedos. Não pertencia a esse corpo, a esse lugar.
Após horas de molho na banheira, dois terços da garrafa de vinho a menos e vários capítulos do livro deixados para trás, se levantou, enrolou-se em seu roupão, mais uma vez checou como estava Tóbby (coitado, sofria em dias como estes), sentiu sua língua dando sinal que ainda estava ali, que apesar do silêncio estava tudo bem.
Desceu até a cozinha, pegou uma lasanha pré-pronta do freezer, a preparou no micro-ondas – sua mãe sempre lhe alertara do maleficio que esses alimentos industrializados faziam ao corpo, que isso um dia ia matá-la – não se importava, não queria viver para sempre, também, depois compensaria fazendo exercícios.
Com um prato de lasanha em uma mão, mais uma taça de vinho em outra, sentou-se no sofá, zapeou na televisão algo que prestasse, claro que não achou nada.
Apelou para o Netflix, única real utilidade de sua TV na verdade, optou por um thriller policial dos anos 80, sempre fora apaixonada pelas décadas passadas, quem sabe essa sua agonia existia porque nascera na época errada.
 Dormiu sentada no sofá – claro que dormiria, o vinho erra seu calmante natural – acordou no meio do filme, desligou a TV e rumou para seu quarto.
Ao deitar na cama, mais uma vez checou Tóbby, sentiu a respiração saindo de seu nariz gelado de cachorro e uma lambida leve e automática em sua mão, que ele dava mesmo dormindo (se é que dormia com todo o barulho de trovões lá de fora). Recostou a cabeça no travesseiro e apagou.
Estava em uma cidade limpa, organizada, que possuía uma iluminação incrível, parecia que tudo era feito de marfim, as pessoas andavam alinhadas, todas quase que uniformizadas, ninguém parecia ter uma face definida, todos seguiam seu rumo sem interagir. Parou de seguir o fluxo por um instante, pediu a um transeunte para onde todos iam, este respondeu que não precisava saber para onde ia, todos estavam indo para o mesmo lugar e era isso que sempre fizeram e seria isso que fariam até o fim de sua existência.
Acordou assustada, era um simples sonho. Mas percebeu que o sonho era real, não a cidade limpa, não as pessoas alinhada, mas o rumo que elas tomavam, todas faziam parte de um rebanho resignado, inclusive ela.
Encontrou o motivo de sua agonia, seguia o rebanho, mas não era essa sua vontade, ela queria ser diferente, fazer o contrário do que sempre lhe ensinaram, não queria viver a vida que sua família a ensinou a viver. Amanhã seria diferente, daria um ponto final em sua vida atual e começaria uma nova.
Desceu a mão até debaixo da cama, sentiu a quente língua de seu companheiro a confortar, levantou-se no escuro, arrastou-se pelo quarto, tateando as paredes – gostava do escuro da noite – entrou no banheiro e fechou a porta, triste mania, se trancar no banheiro mesmo morando sozinha.
Ao pisar no piso gelado sentiu algo úmido no chão – droga, só pode que deixou a janela aberta e a chuva entrou – procurou o interruptor na parede.
Quando a luz se fez seu semblante cansado refletido no espelho sumiu e se tornou uma face de um pavor que nunca antes tinha visto nem nos piores filmes de terror, afinal, aquilo era realidade.
Atrás dela estava Tóbby, pendurado, estripado. No espelho, com seu sangue, estava escrito o seguinte “Não são só os cães que lambem, também posso lamber ”.
No exato momento que leu, ouviu uma trovejada e baterem na porta de seu banheiro.
 BAROOOM!

KNOC! KNOC! TOC! TOC!

https://www.wattpad.com/myworks/80492248-vem-com-a-chuva

segunda-feira, 8 de agosto de 2016



DA COR DOS TEUS CABELOS...

Sol gira sol dourado como é o ouro dar cor de seus cabelos esvoaçando ao sabor do vento com o dourado trigo ,  verdes esmeraldas da cor de seu vestido, se o vento a soprar seus cabelos balançar apazigua me eu te peço pois é teu meu verso... Nas estrelas a brilhar diamantes no negro e imenso espaço vazio a cintilar com o brilho de teus olhos vem a  pele arrepios causar despido de qualquer sentindo vago em teus lábios que desejo já faz um longo tempo. Provoca me com lábios encarnados de magenta tom vibrante e vivo...Cetim veste seu corpo me deixando apaixonado por ti louco deslumbrado e me deixando aos poucos fascinado por este corpo que encanta e inebria aos poucos devorando cada centímetro deste bobo...que apaixonado sempre te elogia.

J.Shynaider
 

Falta a pecinha pontuda



E no silencio da noite infinita, tudo fica cinza, nao quero chorar, essa lagrima é grito que ninguem escuta.
A cama fria, parece ter pregos, reviso sem conseguir dormir.
O tao adorado sono, descanso dos justos, parace que nao e permitido a mim. Vago pelo vazio que enche tudo a minha volta, meu fim sera hoje ou sera amanha, a solidao nao me abraca, sufoca, seus bracos frios em envolvem. Afaga meus cabelos e so consigo imaginar, qual sera o gosto de um sorriso verdadeiro, de um dia completo, sem sombras sem lagrimas, e nenhuma tristeza?
Como sera essa estranha sensacao de deitar na cama e ter a certeza que amanha sera melhor?
Qual sera a sensacao de abracar alguem que vai te entender num toque numa troca de olhares?
Como sera nao ter que explicar e ser entendido como ninguem intende?
A simplicidade esta na vida de todos menos na minha. Me pego perguntando no meu vazio, que tao mal eu fiz pra ser condenada a passar a eternidade buscando algo que nao foi feito pra mim.
Ja tentei preencher esse vazio de muitas formas, e de repente percebo que esta peça que me falta, acho que por ser tao torta como eu, deve ter sido jogada num buraco negro de inexistencia.
A pedrinha pontuda do meu quebra cabeca nunca sera achada.

By Escorpiana

O simbolo perdido



“– Não contem para ninguém, mas no dia em que o deus-sol Rá é venerado pelos pagãos, eu me ajoelho aos pés de um antigo instrumento de tortura e consumo símbolos ritualísticos de sangue e carne.
A turma toda fez uma cara horrorizada.
Langdon deu de ombros.
– E, se algum de vocês quiser se juntar a mim, vá à capela de Harvard no domingo, ajoelhe-se diante da cruz e faça a santa comunhão.
A sala continuou em silêncio.
Langdon deu uma piscadela.
– Abram a mente, meus amigos. Todos nós tememos aquilo que foge à nossa compreensão.”

Professor Robert- O simbolo perdido

sábado, 6 de agosto de 2016

É dificil ir embora



"Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se ama.
Eu desisti.
Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer."
                Bob Marley

É estranho como às vezes , mesmo contra nossa vontade , temos que partir. Seja de um lugar, seja de uma situação, seja de dentro de alguém... percebi então de quantas coisas lugares e situações eu tive que ir embora mesmo sem querer.
Seja porque era a hora, seja porque existiam motivo relevante ou mesmo não tendo motivo algum aparente.  E quando se tem a sensação de que é hora e não dá mais para ficar ali mesmo querendo. É quando a gente quer ficar mas o cansaço nos impulsiona a seguir novos rumos e alcançar novos voos. Só quem já passou por situações semelhantes sabe do que estou falando: arte de ir embora quando se quer ficar, de abrir mão quando se quer muito ainda, de deixar para lá quando a vontade insiste em estar bem aqui. E quando eu digo arte é bem no sentido literal da palavra mesmo, porque nem sempre as pessoas entendem quando você se vai. Aliás elas quase nunca entendem não é qualquer um que é artista e por isso fica difícil explicar.
É difícil fazer as pessoas entenderem que nem sempre quando se quer é a hora certa. E difício elas entenderem que a gente tira o time de campo mas o pensamento ainda joga o tempo todo. É que lidar com essa ambiguidade é também muito difícil, é difícil para elas entenderam que a gente segue a vida porque a vida também segue mesmo que a gente não queira.
Mas isso pouco importa. Eu só vim mesmo aqui para te dizer que eu não queria ter ido, mas foi. Pra te fazer entender que eu teria escolhido ficar se você tivesse me dado essa opção. Pra te contar que eu só fui porque você me permitiu ir embora. A gente sempre vai embora não é ?
 ...mas eu ainda penso o tempo todo em você.

Chão dourado snow patrol

[O chão dourado]
Golden floor

Diga-me que você quer dançar
Eu quero sentir o seu pulso no meu Apenas me trate como um olhar roubado
Para você mesma
Uma forma escura no chão dourado Um planeta dormente com um núcleo liquefeito
Do alto nós cortaríamos uma lenta forma em oito
E muito mais Eu sou um camponês em seus braços de princesa
Sem dinheiro, tendo apenas charme Como nós estamos nivelados pelas luzes quentes e baixas
E desarmados
Eu não temo nada, nem o tempo Isso vai afastar tudo, mas nós ficaremos bem
Eu sou moldado no pão que você fez Você está com frio até que me corpo te banhe
Em um calor que eu mantenho de lado
Todos esses dias
Eu não temo nada, nem o tempo Isso vai afastar tudo, mas nós ficaremos bem

Tradução: San'

Palavras


Palavras 


Foi bem assim que tais palavras vieram a me ocorrer, já não precisava mais pensar em você apenas sentir sua presença me atiçava os pensamentos levando de mim juízo e discernimento...
Ao contempla em teu rosto o brilho de teus olhos se apoderou em minha alma calor e excitação ardendo de paixão a proximidade de teus lábios me constrangeram então, na esperança de te lá em meus braços fui atirado,  precipitado afastei você de mim...
Desejoso de você sofri andando pelos seus caminhos desejei desesperadamente te encontra mas nada de seu olhar para fogo em mim atiçar só me restava aquilo que com pouco tempo meus olhos tiveram o privilégio de contemplar e a cada vez que neste lábios penso incendeia em mim o fogo que arde de desejo do seu corpo inteiro no meu a se fazer amor perfeito....

J.Shynaider