terça-feira, 4 de abril de 2017

Juras...


...Não prometo te levar ao céu mas, te mostrarei as estrelas em meus olhos;
Não sou a melhor pessoa do mundo, mas o melhor do meu mundo será seu;
Talvez eu não seja a euforia dos teus dias, mas o aconchego de um corpo quente em suas noites, serei sim;
Muito provavelmente que eu não seja a luz no teu caminho, mas serei a mão que apoia tua caminhada;
Não tenho as melhores palavras para teus piores dias, mas eu tenho dois ouvidos para ouvir o que deixa seu coração tão pesado.
Não desejo ser seu tudo, mas sim aquela coisa imprescindível.
Não quero ser exatamente o sal, serei a pimenta, que faz toda diferença no sabor.
E quando adormecer, sentira o vento leve sobrando meu beijo em seus lábios e o meu perfume te fara correr ao meu encontro.
E no fim de cada noite e inicio das madrugadas tudo recomeçará de uma forma que embora seja sublime, tenha a força das ventanias e o calor do fogo que queima matas em segundos...

Ate que finalmente nos daremos conta de que já perdemos toda a noção da realidade...

Bel

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Negociação

Sempre fui um cara extremamente distraído. Alerto as pessoas que eventualmente passam a conviver comigo que, caso passe por elas em qualquer lugar e não as cumprimente, não é por falta de respeito e desconsideração com a pessoa, mas sim pelo fato de eu estar viajando em meu mundo particular.

Quando coloco os fones de ouvido, me torno morador de outro planeta, viajo nas composições geniais de alguns cantores ou fico fascinado com assuntos interessantíssimos de certos podcasts.

Em uma época de minha vida costumava acordar muito cedo, como ainda faço, porém para outro motivo. Na época eu levantava da cama as cinco horas para ir correr - de fato fiquei extremamente viciado naquilo.

Como não poderia ser diferente, colocava o fone de ouvido e corria pela rua, meus pés no asfalto, minha cabeça no universo.

Só tinha um pequeno probleminha. Eu morava num local tranquilo, porém, do ponto A ao ponto B do meu trajeto tinha uma pequena mancha de intranquilidade, uma boca de fumo básica, pra ser mais específico.

Certa manhã, correndo, viajando, ouvi alguém assobiar me chamando, e cometi o maior erro de todos, não prossegui, parei, olhei pra trás, dei atenção. Tal como um vendedor ambulante que percebeu o interesse de um possível cliente ele veio.

Como já tinha cometido o erro, mantive-me no papel de cliente interessado. O cara tava completamente bêbado, pelo jeito estava saindo da festa. Já veio pedindo se eu não conseguia arranjar um dinheiro, porque ele não era da cidade e tava precisando pegar o ônibus pra Caxias do Sul (cidade a mais ou menos 500 km de Chapecó).

Expliquei que tava indo correr, que por isso não levava nada comigo (tentando disfarçar o celular no bolso).

Ele, como vendedor insistente, colocou a mão do bolso e tirou algo que finalmente me puxou de meus devaneios até a realidade, uma faca.

Antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa ele me falou: "pra tu ver que eu tô falando sério, não precisa me dar o dinheiro, te vendo essa faca".

Dei um suspiro interno e entrei na jogada dele. Puxei assunto, repeti que não tinha nada ali, mas pedi onde ele morava que eu fazia questão de passar lá pra ajudar.

Me mostrou a casa - ali do lado, no trajeto que fazia todo dia, infelizmente - disse que assim que conseguisse iria lá, combinamos até de tomar uma cerveja no boteco em frente. Apertei a mão dele e corri pelo menos 3 km sem olhar pra trás.

Que fim levou? não sei. Voltou pra sua cidade Natal? talvez.

Moral da historia: As vezes ser bom de trova salva, não sei se a tua vida, mas pelo menos teu celular sim.

Eu vi o olhar dele, fiz uma leitura de sua linguagem corporal enquanto vinha até mim, ele veio pra me assaltar. Não sei o que fiz para que mudasse de ideia. As vezes ser atencioso e respeitoso pode fazer a diferença. Não reaja com violência, mas com humanidade.

sábado, 1 de abril de 2017

Simples jestos


"Porque quando os dedos se encaixam com precisão milimétrica, tudo parece fazer sentido;
quando as palavras se tornarem desnecessárias, e os olhares forem a mais bela e verdadeira forma de comunicação, seus pensamentos serão ouvidos e seus vontades atendidas antes mesmo de amadurecerem e virarem necessidades.
E nesse momento você vai entender o por que de não ter dado certo antes. 
Algumas coisas são tiradas de nós, outras são negadas, por que o que a gente precisa e merece é sempre bem melhor do que nós conseguimos desejar..."


By Bel

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Destino final


"Sou daquelas que achava que amores eram para sempre, mas o "para sempre" é apenas como chamamos o tempo que ele dura.
Assim como o amor nasce, ele morre, como um sopro ou gradativamente com o tempo.
Tudo que resta a nós, pobres humanos, é saber aproveitar esse breve momento para ser feliz ou deixar o tempo passar para que o amor morra por esquecimento.
Nada que não seja alimentado, terá forças pra ser eterno."

By Bel

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Rum corra Snow Patrol


I'll sing it one last time for you
Then we really have to go
You've been the only thing that's right
In all I've done
And I can barely look at you
But every single time I do
I know we'll make it anywhere
Away from here
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
To think I might not see those eyes
Makes it so hard not to cry
And as we say our long goodbye
I nearly do
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear
Louder louder
And we'll run for our lives
I can hardly speak I understand
Why you can't raise your voice to say
Slower slower
We don't have time for that
All I want is to find an easier way
To get out of our little heads
Have heart my dear
We're bound to be afraid
Even if it's just for a few days
Making up for all this mess
Light up, light up
As if you have a choice
Even if you cannot hear my voice
I'll be right beside you dear

Corra

Eu vou cantar uma última vez pra você
Então nós teremos mesmo que ir
Você foi a única coisa certa
Em tudo que eu fiz
E eu mal posso olhar pra você
Mas cada vez que eu olho
Eu sei que nós chegaremos em qualquer lugar
Longe daqui
Anime-se, anime-se
Como se você tivesse escolha
Mesmo se você não puder ouvir minha voz
Eu estarei bem ao seu lado, querida
Mais alto, mais alto
E nós correremos por nossas vidas
Eu mal consigo falar, eu entendo
Por que você não pode aumentar sua voz para dizer
Pensar que eu posso não ver aqueles olhos
Torna tão difícil não chorar
E enquanto dizemos nosso longo adeus
Eu quase choro
Anime-se, anime-se
Como se você tivesse escolha
Mesmo se você não puder ouvir minha voz
Eu estarei bem ao seu lado, querida
Mais alto, mais alto
E nós correremos por nossas vidas
Eu mal consigo falar, eu entendo
Por que você não pode aumentar sua voz para dizer
Mais devagar, mais devagar
Nós não temos tempo para isso
Tudo o que eu quero é achar um jeito mais fácil
De sair de nossas pequenas cabeças
Tenha força, minha querida
Nós estamos destinados a ter medo
Mesmo que seja só por alguns dias
Compensando toda essa confusão
Anime-se, anime-se
Como se você tivesse escolha
Mesmo se você não puder ouvir minha voz
Eu estarei bem ao seu lado, querida

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

IV Hello Darkness My Old Friend



Se quiser se encontrar sugiro começar por aqui

Capítulos anteriores


Esse é o Quarto capítulo da história, porém pode ser lido sozinho como um pequeno conto caso não queira se aprofundar e ter a visão geral de para onde iremos.




A tarde estava linda, o céu azul como em poucas vezes havia visto. Não estava completamente azul, haviam nuvens em formato de algodão que preenchiam a paisagem, formando uma pintura inacreditável.

Estava deitada na grama, com a cabeça apoiada em seus braços. Sentia-se como se estivesse totalmente livre. Não que já houvesse sido presa alguma vez, mas tinha uma sensação de que poderia ficar ali o quanto quisesse, como se, pela primeira vez na vida, não precisasse se preocupar com o relógio, não havia compromisso que a tirasse daquele paraíso.

Cães corriam pela grama, saltando em busca de frisbees ou gravetos lançados por seus respectivos donos. Famílias faziam piqueniques, Crianças participavam de brincadeiras.

A tarde estava quente, mas a brisa que batia equilibrava perfeitamente a temperatura. Se houvesse paraíso - um lugar físico como em obras de ficção - sem dúvida ele seria assim.

De repente, percebeu pelo canto do olho uma nuvem escura se aproximando, a pequena brisa se transformou numa rajada forte de vento, os cães começaram a latir, as toalhas de piquenique foram recolhidas, as crianças chamadas pelos pais para um lugar seguro. Provavelmente uma nuvem passageira de verão. Geralmente vêem com força e vão embora da mesma forma como vieram.

A chuva veio leve. Gotas finas caíram em seu rosto. Abriu a boca e as deixou correr, sentiu o seu frescor na garganta - continuava sendo o paraíso.

As gotas ficaram mais grossas, como sempre acontecia com tempestades de verão. Era hora de se abrigar e esperar o sol voltar a brilhar. Levantou-se, ou melhor, tentou, algo a impedia. Por mais força que fazia, não mexia um só músculo, parecia que algo a segurava. Já havia ouvido sobre isso, só que acontecia com pessoas que estavam acordando, pelo que lembrava era chamado de paralisia do sono. Mas não estava dormindo.

Tudo começou a ficar mais escuro, parecia que a luz ia dando lugar as trevas em um perímetro perfeito em sua volta, o circulo ia se fechando. Juntamente com a luz, o ar também estava ficando rarefeito.

Antes que conseguisse perceber o que de fato estava acontecendo, antes de entrar em total desespero, a luz sumiu totalmente, o ar simplesmente acabou, no desespero de sugar a última dose para seus pulmões, acordou.

Era escuro e úmido. Sem dúvida não estava mais deitada na grama do parque. Podia sentir o fedor putrefato​ do ar. A princípio pensou estar vendada, soltou as mãos que estavam praticamente livres em cordas, passou-as no rosto e não sentiu nada obstruindo sua visão. Mesmo assim não conseguia enxergar.

Estava cega - pensou.
Sentia que cada fibra de seu corpo ia se desfazer de tanto medo que corria por ele. Não mais tremia, até que o grito subiu de seus pulmões, passou pela laringe, pelas cordas vocais, até ressoarem um rouco, porém audível grito de desespero:

- Soccccooooooorrrrrooooooo!!!

Por um instante não houve mais nada no mundo a não ser ela é seu grito, ecoando no infinito da escuridão onde se encontrava.
Levantou-se com muita dificuldade, tateando as paredes ao redor, em busca de qualquer elemento que a ajudasse a descobrir onde estava.

- Ainda estou no parque, isso é um sonho, eu dormi e tive uma insolação, preciso acordar - Disse a si mesmo, em voz alta, tentando sentir-se viva.

As pedras que a cercaram deixavam claro que se tratava de uma caverna, porém eram lisas demais, como se tivessem sido moldadas por alguém, ou tivessem passado centenas ou até milhares de anos sendo esculpidas pela água que corria por elas.

Seguiu a barulho da água e encontrou uma pequena vertente no canto de uma das paredes, pegou um pouco em suas mãos e sorveu com os lábios - era incrivelmente saborosa, no sentido de que algo insípido pode ser, sentia que era totalmente incolor apesar de não poder enxergar. Sem dúvida era o líquido mais puro que já havia provado na vida.

Um dos problemas estava resolvido, o estômago ainda incomodava muito, mas a água já fazia com que recuperasse um pouco os sentidos, já estava começando a voltar a si, conseguia raciocinar novamente.

Começou a lembrar claramente do parque. Foi tão vívido, realmente sentiu estar lá. Mas agora, diante de sua realidade, não tinha dúvida de que se tratou de um devaneio. Não conseguia traçar o momento em que foi ao parque, muito menos o momento que a trouxe a essa escuridão - Se é que estava escuro mesmo, nunca esteve diante de um breu tão grande.

Tentava se lembrar como chegara a esta situação, nada vinha em sua mente além do belo dia no parque, a tempestade de verão, a suposta paralisia do sono.

Pensando bem também não lembrava de como tinha chegado ao parque, nem antes, nem depois. O que era sonho, o que era realidade?

Então a luz se fez. Não a iluminação que gostaria, porém pode perceber flash distante, mas o suficiente para perceber que não estava cega, já era alívio.

Conforme ia saindo do torpor inicial de quando se acordou, começava a sentir mais medo, frio, fome. O pânico começava a tomar conta da situação por completo.

Lembrou de suas aulas de ioga, da dificuldade que sempre teve em se manter relaxada no momento da meditação final - a quem queria enganar, sentia dificuldade até em se manter nas posições mais básicas, nem que fosse só por quinze segundos.

Sempre teve dificuldade em se manter tranquila, e concentrada, pelo jeito teria que aprender da pior maneira possível.

Então, o silêncio se desfez. Ouviu barulho de uma pesada porta de metal se arrastando, o barulho não vinha da Câmara onde estava, mas além. Porém, agora, sabia que não estava sozinha soterrada embaixo de uma montanha, o lugar realmente era uma espécie de quarto.

A porta aparentemente se fechou, seguiu o barulho e tateou as paredes até chegar a um espécie de porta, não a que acabará de ser afastada, aquela estava mais distante, era maciça, de metal, gelada.

Ouviu a porta distante sendo arrastada novamente. Algo vinha caminhando de forma irregular, difícil distinguir um padrão de passos, se apoiava na parede, cada vez estava mais perto, já dava para ouvir a respiração ofegante do ser, fosse ele humano ou não.

Ela se afastou da porta, encolheu-se em um canto, apenas aguardou.

Abriu-se uma portinhola na porta da qual havia se afastado. Sentiu uma respiração quente, pesada, um hálito que lhe causou náuseas, já não bastasse o buraco que sentia no estômago.

- Quem é você, o que estou fazendo aqui? - perguntou, com uma voz trêmula.

- coma - respondeu num grunhido pouco audível, enquanto jogava algo pela portinhola.

Ela se aproximou, tateou o chão úmido na escuridão e tocou em algo ainda mais úmido e pegajoso que o próprio chão.

- O que é isso? Um rato? Não posso comer isso.

A portinhola se fechou, os passos se afastaram, a pequena luz que havia surgido distante apagou. O parque foi um sonho, isso era um pesadelo.

Por PedroGM

Mais em:

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

sem crer

É sempre bem mais fácil quando alguém te pega pela mão.
O que fazer quando todos que te seguram pela mão te soltam no exato momento que você está alto demais e que a queda pode ser Fatal?
Os dedos já não podem acreditar em outras mãos, Eles sabem que mais cedo ou mais tarde serão soltos e que o corpo estará em plena queda livre.
Acreditar parece não ser mais uma boa opção.
Acreditar em outra mão parece burrice uma decisão dolorosa.
Talvez a mão suada e escorregadia seja indícios de que mais cedo ou mais tarde aqueles dedos vão escapar dos seus e você voltara para os braços da Solidão mais uma vez e não fica mais fácil com o tempo.
Cicatrizes é o tipo de coleção que não é agradavel colecionar.

By Bel