sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Pausa poética




Quando eu tentei sair


O dia já nasce escuto, totalmente sem cor, sem luz. Abro a janela mas não tem sol. Bate o medo de sair do quarto. Ouço barulhos, o cobertor ainda parece melhor escudo.
A escuridão me faz ver sombras negras, cubro o rosto. Mas pra haver sombras precisa de uma fonte de luz. Olho em volta e não vejo nada, tudo ilusão. O medo tentando me pregar peças. Não vou deixar. Levanto, deixo o cobertor cair. O pior monstro esta na minha cabeça. Que seja meu prisioneiro então.
Abro a porta, caminho pela casa, esbarro nos moveis e tombo nas paredes. Não tem mais nada, nem ninguém. O que esta acontecendo? Onde foram todos?
Eu grito, chamo por alguém, mais o que me responde e um silêncio ensurdecedor. Eu estou sozinha, como nunca antes.
Tentáculos negros me abraçam de repente. Luto contra eles, mais são muitos e fortes. Me debato, me desespero, grito por socorro. Mas ninguém vem. Eu estou sozinha.
Eles me apertam, mas eu ainda luto, e num golpe de sorte consigo me livrar. Corro no escuro, meus olhos começam a se acostumar as sombras. Já não esbarro em mas nada. Eu ainda grito, ainda peço ajuda. Mais nunca ninguém vem.
Ele não me segue mais, não o sinto. Preciso sair daqui. A porta não quer abrir, a chave não esta lá. Que esta acontecendo? Cadê todo mundo?
Eu preciso sair, eu quero ir embora.
Me desespero e choro, mais não desisto.  A porta dos fundos, nunca fica trancada, corro ate ela. Sim esta apenas encostada. Sinto a liberdade tão próxima, a oportunidade de sair da escuridão. De fugir do pesadelo. A possibilidade de um amanhecer lindo. Toco a maçaneta, esta fria, um vento gelado queima minha pele. Não consigo respirar, sufoco, meus olhos doem. Não consigo mais ver nada.
Quanto tempo eu passei na escuridão, quanto tempo fiquei trancada nessa casa velha. À tempo suficiente de não saber viver fora. Vou sufocar, não consigo respirar. Ficar fora será suicídio. Me volto pra casa e de lá se estendem os tentáculos em minha direção, não mais em ataque, e sim em ajuda. Acaricia meus cabelos e me faz sentir algo familiar.
Sussurra no meu ouvido: _Tarde demais pra tentar ir embora, você nunca se costumaria lá. Aquilo ali é para os vivos, você morreria outra vez...

Talvez eu esteja mesmo morta, e ainda não percebi...

by Bel

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