Quando eu tentei sair
O dia já nasce escuto, totalmente sem cor, sem luz. Abro a
janela mas não tem sol. Bate o medo de sair do quarto. Ouço barulhos, o
cobertor ainda parece melhor escudo.
A escuridão me faz ver sombras negras, cubro o rosto. Mas pra
haver sombras precisa de uma fonte de luz. Olho em volta e não vejo nada, tudo
ilusão. O medo tentando me pregar peças. Não vou deixar. Levanto, deixo o cobertor
cair. O pior monstro esta na minha cabeça. Que seja meu prisioneiro então.
Abro a porta, caminho pela casa, esbarro nos moveis e tombo
nas paredes. Não tem mais nada, nem ninguém. O que esta acontecendo? Onde foram
todos?
Eu grito, chamo por alguém, mais o que me responde e um silêncio
ensurdecedor. Eu estou sozinha, como nunca antes.
Tentáculos negros me abraçam de repente. Luto contra eles,
mais são muitos e fortes. Me debato, me desespero, grito por socorro. Mas ninguém
vem. Eu estou sozinha.
Eles me apertam, mas eu ainda luto, e num golpe de sorte
consigo me livrar. Corro no escuro, meus olhos começam a se acostumar as
sombras. Já não esbarro em mas nada. Eu ainda grito, ainda peço ajuda. Mais nunca
ninguém vem.
Ele não me segue mais, não o sinto. Preciso sair daqui. A porta
não quer abrir, a chave não esta lá. Que esta acontecendo? Cadê todo mundo?
Eu preciso sair, eu quero ir embora.
Me desespero e choro, mais não desisto. A porta dos fundos, nunca fica trancada,
corro ate ela. Sim esta apenas encostada. Sinto a liberdade tão próxima, a
oportunidade de sair da escuridão. De fugir do pesadelo. A possibilidade de um amanhecer
lindo. Toco a maçaneta, esta fria, um vento gelado queima minha pele. Não consigo
respirar, sufoco, meus olhos doem. Não consigo mais ver nada.
Quanto tempo eu passei na escuridão, quanto tempo fiquei
trancada nessa casa velha. À tempo suficiente de não saber viver fora. Vou sufocar,
não consigo respirar. Ficar fora será suicídio. Me volto pra casa e de lá se
estendem os tentáculos em minha direção, não mais em ataque, e sim em ajuda. Acaricia
meus cabelos e me faz sentir algo familiar.
Sussurra no meu ouvido: _Tarde demais pra tentar ir embora,
você nunca se costumaria lá. Aquilo ali é para os vivos, você morreria outra
vez...
Talvez eu esteja mesmo morta, e ainda não percebi...
by Bel

ISSO FOI FANTÁSTICO!
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